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Informativo Eletrônico Nº 06 - AGOSTO 2007
 Editorial
Destaques 

Ao completar meio século no Brasil, a Fulbright amplia as oportunidades de intercâmbio e aperfeiçoamento oferecidas aos estudantes brasileiros. Exemplos disso são os programas The Fusion Arts Exchange on Music Composition and Performance e o Community College Summit Initiative que, pela primeira vez, terão a participação de selecionados pela Fulbright brasileira.

A outra novidade é o programa do governo norte-americano destinado a aprimorar a formação de tecnólogos - em nível de graduação e de baixa renda - de países em desenvolvimento. A primeira turma brasileira terá 13 estudantes.

Além dessas iniciativas inéditas, esta edição apresenta um bate-papo com a norte-americana Katherine Schlosser, 25, bolsista da Comissão Fulbright, que observou a primeira visita do papa Bento XVI ao Brasil com o olhar minucioso de uma pesquisadora. E ainda mostra a experiência do projeto Piraí, que permite o acesso ao universo digital e o aprendizado de inglês a habitantes do interior do Rio de Janeiro.

Informamos ainda que um novo serviço de cadastramento será disponibilizado para ex-bolsistas. O objetivo é aproximar cada vez mais a Fulbright do seu público. Por meio desse instrumento queremos deixá-los atualizados e informados sobre os avanços e as novas oportunidades de qualificação oferecidas pela Comissão. Contamos com você.

Boa leitura.



Meio Século
Espetáculo de música comemora 50 anos da Fulbright no Brasil
O maior violoncelista do mundo, Yo-Yo Ma, fez duas apresentações no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, no dias 19 e 20 de junho e uma no Teatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 22 de junho. Para comemorar os seus 50 anos no Brasil, a Comissão Fulbright e a Embaixada dos Estados Unidos apoiaram a vinda do mais célebre violoncelista da atualidade.


Projeto Piraí

Inclusão digital e aprendizado de inglês fazem parceria de sucesso

Aliar o ensino de inglês à inclusão digital. Esse é o trabalho de dois jovens norte-americanos no Projeto Piraí. A Comissão Fulbright, por meio do Programa English Teaching Assistant (ETA), apóia o trabalho realizado pela Fundação Sequóia, organização americana com projetos nas áreas de educação e artes.



Artes

Músicos recebem bolsa para qualificação

Uma cantora, um pianista e uma flautista são os mais novos bolsistas da Comissão Fulbright. Os três selecionados do programa The Fusion Arts Exchange on Music Composition and Performance irão passar cinco semanas na Northeastern University, em Boston. A estudante de música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - habilitação em flauta - Shari Simpson de Almeida, 21 anos, acredita que a experiência será um grande passo em sua carreira.



Graduação

Brasileiros participam de experiência em community colleges

Estudantes brasileiros das áreas de engenharias, administração, informática e turismo foram selecionados para o Community College Summit Initiative Program. O novo programa da Comissão Fulbright dará bolsas de estudos para estudantes de graduação brasileiros de baixa renda. Os 13 bolsistas integram a primeira seleção desse programa no Brasil.




Estudo

Bolsista analisa visita do Papa ao Brasil

Milhares de brasileiros foram a São Paulo, entre os 9 e 14 de maio, para ver de perto o Papa Bento XVI. Esta foi a primeira visita do Pontífice ao Brasil. A norte-americana, Katherine Schlosser, 25, bolsista da Comissão Fulbright, pesquisa religião e política geral no Brasil.


Espetáculo de música comemora 50 anos da Fulbright no Brasil

O maior violoncelista do mundo, Yo-Yo Ma, fez duas apresentações no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, em São Paulo, no dias 19 e 20 de junho e uma no Teatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 22 de junho. Para comemorar os seus 50 anos no Brasil, a Comissão Fulbright e a Embaixada dos Estados Unidos apoiaram a vinda do mais célebre violoncelista da atualidade.
Ma tem uma carreira fascinante, fez mais de 50 discos, dos quais 15 lhe renderam o prêmio Grammy. Francês, filho de pais chineses e radicado nos Estados Unidos, Yo-Yo Ma fez shows no Brasil para platéias cheias tocando Schubert, Shostakovich, Piazzola, Frank e também uma obra brasileira: a Bodas de Prata & Quatro Canto, de Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro. Ele tocou ao lado da pianista Kathryn Stott e usou um dos instrumentos mais caros do mundo: o violoncelo Stradivarius Davidov, fabricado em 1712.

O violocenlo foi batizado assim porque pertenceu ao russo Karl Davidov (1838 -1889). O instrumento pertenceu a violoncelista, Jacqueline Du Pré entre 1945 a 1987, após seu falecimento o violoncelo passou para as mãos de Yo-Yo Ma. O verdadeiro dono do instrumento pemanece anônimo. O último Stradivarius vendido em um leilão custou USS 3,5 milhões. 
 
NOTA
Novo sistema de informação para
ex-bolsistas
Com objetivo de fortalecer o contato com os ex-bolsistas, a partir do mês de agosto, a Fulbright coloca à disposição um novo sistema de cadastramento. O Sistema de Relação de Ex-bolsistas irá permitir a atualização permanente do endereço eletrônico e outros dados de contato dos ex-bolsistas. De acordo com o diretor executivo da Fulbright, Luiz Loureiro, essa é uma ferramenta importante de ligação entre a instituição e o ex-bolsista. “Enviaremos a newsletter, boletins  informando inscrições para novos programas e outras informações importantes. Tudo para que o ex-bolsista fique sabendo das oportunidades”, diz Loureiro. Será disponibilizada no site uma senha individual para que cada pessoa faça o preenchimento dos dados.
 



Inclusão digital e aprendizado de inglês fazem parceria de sucesso

Aliar o ensino de inglês à inclusão digital. Esse é o trabalho de dois jovens norte-americanos no Projeto Piraí. A Comissão Fulbright, por meio do Programa English Teaching Assistant (ETA), apóia o trabalho realizado pela Fundação Sequóia, organização americana com projetos nas áreas de educação e artes. Os dois bolsistas da Fulbright, os professores americanos, Rachel Mamiya, 27 anos e John Bannister, 23 anos, estão integrados ao Projeto Piraí.  Localizado na cidade de mesmo nome, no Estado do Rio de Janeiro, eles desenvolvem atividades com os estudantes, professores e coordenadores do projeto.

Bannister conta que um dos objetivos do Projeto Piraí é melhorar o ensino de inglês nas escolas públicas. Além de desenvolver um trabalho social, os dois bolsistas da Comissão Fulbright tem o foco na pesquisa. Em seu projeto de estudo, Bannister busca analisar o uso do inglês como ferramenta de movimento entre classes sociais. “Quero saber o que estudantes e professores pensam sobre a língua inglesa e, se a falta dela, pode impor limitações profissionais”.

O jovem americano dá aulas de conversação para os professores. Bannister também está montando um glossário com centenas de fotos para as crianças. A publicação tem “um foco visual”. Ele conta que como os estudantes são carentes e não possuem recursos para comprar dicionário o livro estará disponível na internet. “Existe muito acesso à internet aqui, a tecnologia abre portas, essa inclusão será muito importante para o futuro”, avalia.

Para a professora Rachel, o Projeto Piraí é único e interessante. O projeto de alfabetização digital é implantado em escolas, telecentros, quiosques de internet.

“O inglês e o conhecimento tecnológico servem de ferramentas para o desenvolvimento dessa cidade”, diz. Rachel conta que sempre quis ajudar as pessoas e que escolher o Brasil porque gosta muito do país. “O Brasil tem um potencial incrível, mas também tem muitos problemas sociais, econômicos e políticos. É difícil mudar certas situações, mas acho se todo mundo faz sua parte, podemos melhorar as coisas pouco a pouco. E Piraí está fazendo justamente isso”.



Músicos recebem bolsa para qualificação

Uma cantora, um pianista e uma flautista são os mais novos bolsistas da Comissão Fulbright. Os três selecionados do programa The Fusion Arts Exchange on Music Composition and Performance irão passar cinco semanas na Northeastern University, em Boston.

A estudante de música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - habilitação em flauta - Shari Simpson de Almeida, 21 anos, acredita que a experiência será um grande passo em sua carreira. “Meu objetivo é enriquecer meu repertório e conhecimentos musicais, aprimorar minha performance como solista e camerista, além de procurar material para pesquisa”, revela. Desde 2006, Shari participa de um trabalho de iniciação científica na Escola de Música da UFMG, sobre análise espectrográfica.


Foto: Shari Shinpson, flautista

Já para a estudante de canto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Carolina Vianna Silveira, 20 anos, espera sair do programa com uma visão mais clara sobre como conduzir a carreira.  “Será grande vitória na minha vida acadêmica. Terei a oportunidade de presenciar o estudo e a produção musical em escala mundial. Como intérprete, saberei em primeira mão o que os jovens compositores da minha geração estão produzindo, e que tendências seguem”. Carolina estuda música com objetivos profissionais desde os 16 anos, quando começou com as aulas de canto lírico. Um ano depois iniciou as aulas de teoria musical, percepção e solfejo e ingressou na universidade aos 18.

Para o terceiro selecionado, o estudante de piano da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Boccato Kuyumjian, 21 anos, essa será uma oportunidade de troca de experiências com músicos de outra cultura. “Acredito que poderei expandir minha visão sobre a música e, a partir disso, explorar aspectos diferentes sobre ela”. Kuyumjian

participou dos festivais de música de Londrina (2003), na categoria Piano Popular e de Ourinhos (2004), entre outros. 

Segundo a coordenadora de programa da Fulbright, Rejânia Araújo, essa foi a primeira vez que a Fulbright brasileira indicou candidatos a esse programa. Os novos bolsistas concorreram com estudantes da África do Sul, Índia, Irlanda e Mali. Os currículos foram analisados por destacados professores, músicos e compositores dos Estados Unidos. Os selecionados receberão passagem de ida e volta, hospedagem, seguro-saúde, alimentação, livros, ingressos para eventos culturais, auxílio para viagens, participação em seminários e conferências. Além disso, terão todo o curso e taxa escolar da universidade pagos.



Brasileiros participam de experiência em community colleges

Estudantes brasileiros das áreas de engenharias, administração, informática e turismo foram selecionados para o Community College Summit Initiative Program. O novo programa da Comissão Fulbright dará bolsas de estudos para estudantes de graduação brasileiros de baixa renda. Os 13 bolsistas integram a primeira seleção desse programa no país e há representantes de diversos estados brasileiros.

A especialista da Fulbright, Glayna Braga, afirma que os jovens poderão dedicar-se exclusivamente ao estudo durante um período de aproximadamente 15 meses nos EUA, aprenderão o idioma em uma situação ideal, que é a vivência no país, e ainda a chance de aproveitamento de créditos. “Eles também terão a possibilidade de fazer cursos específicos em suas áreas que porventura não existam no Brasil”, afirma.

O programa é uma iniciativa inédita do governo dos EUA com o objetivo de fortalecer a formação e a carreira de tecnólogos em alguns países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil. África do Sul, Turquia, Egito, Indonésia e Paquistão são os outros cinco países escolhidos pelo governo norte-americano para participar do projeto piloto.  A bolsa oferece um programa de estudos em instituição de ensino superior voltado para a formação de tecnólogos, que irão trabalhar com novas tecnologias e outras áreas de caráter eminentemente aplicado – os community colleges. “O programa é um instrumento de inclusão social e diversidade cultural. E tem como público-alvo os alunos provenientes das classes sociais C, D e E, que já contam com algum tipo de bolsa ou auxílio para estudar, e que normalmente não têm acesso a esse tipo de experiência”, explica Glayna.


Community colleges
– Os community colleges são instituições de ensino superior que oferecem uma formação focada na prática profissional, com o objetivo de suprir o mercado de trabalho com profissionais dedicados à carreira tecnológica.  Originalmente, a função dos community colleges era preparar mão-de-obra especializada para o comércio e a indústria. Atualmente, acompanham o desenvolvimento do mercado de trabalho e procuram antecipar suas demandas oferecendo formação em diversas áreas. 

Nome
Área
Instituição
Origem
UF
Community College de destino
Alice da Conceição Santos
Tourism and Hospitality
FIB
Salvador
BA
Daytona Beach CC
Celso Oliveira da Silva
Engineering Science
SENAI
Joinville
SC
North Harris Montgomery CC District
Claudia Conceição Pereira
Information Tecnology
UNICSUL
São Paulo
SP
Parkland College
Douglas Melchior Bartz
Engineering Science
UEA
Manaus 
AM
Northampton CC
Felipe Bubolz de Souza
Information Tecnology
UNISINOS
São Leopoldo
RS
Parkland College
Felipe da Silva Franco
Information Tecnology
CEFET
Rio de Janeiro
RJ
Parkland College
Francisca Jaiane T. Freittas
Engineering Science
CEFET
Fortaleza
CE
North Harris Montgomery CC District
Francisco A. Mendonça Jr.
Information Tecnology
CEFET
Fortaleza
CE
Parkland College
Josenildo Freire da Silva
Business Managment
IPESU
Recife
PE
Hillsborough CC
Josie Barreto Ferrão
Engineering Science
CEFETEQ
Rio de Janeiro
RJ
Northampton CC
Renan Albanezi Betolazzi
Engineering Science
UNICAMP
Campinas
SP
Northampton CC
Suanam Pinheiro Lopes
Engineering Science
UEA
Manaus 
AM
North Harris Montgomery CC District
Vanessa Isabelle dos Santos
Engineering Science
UNICAMP
Campinas
SP
North Harris Montgomery CC District

Bolsista analisa visita do Papa ao Brasil

Milhares de brasileiros foram a São Paulo, entre os 9 e 14 de maio, para ver de perto o Papa Bento XVI. Esta foi a primeira visita do Pontífice ao Brasil. A norte-americana, Katherine Schlosser, 25, bolsista da Comissão Fulbright, observou a passagem do papa pelo país sob o enfoque científico. Ela pesquisa religião e política geral no Brasil, com foco na atuação da renovação carismática católica e na prática política das mulheres que integram esse movimento. Formada em ciências políticas pela University of Notre Dame, Katherine acredita que suas descobertas têm contribuído para o aprendizado sobre (a relação das mulheres com a política e a religião) mulheres e política, participação política e como a religião muda ou não ações políticas dessas mulheres. Leia abaixo trechos da entrevista que Katherine concedeu a nossa reportagem:

Por que você escolheu o Brasil?

Meu interesse pela política, religião e linguagem do Brasil começou quando estava escrevendo sobre partidos de esquerda na América Latina. No Brasil estudei o Partido dos Trabalhadores (PT). Me dei conta que para entender a política na América Latina seria importante entender o papel da religião. O país tem forte tradição de igrejas envolvidas na política. No passado, a Igreja Católica desafiou os políticos durante o regime militar e mobilizou o povo levando a se engajarem em ativismos. Hoje em dia, o poder das igrejas neo-pentecostais segue crescendo na política, especialmente no Rio de Janeiro. É importante citar que muitas mulheres começaram a participar da política por meio de seu envolvimento com a Igreja Católica. Contudo, o número de mulheres eleitas é muito baixo em comparação a outras partes da América Latina. Todas essas dinâmicas fornecem um lugar ideal para estudar fé, política e, especificamente, mulheres.

A religião no Brasil é muito forte?
Muitas igrejas não têm assentos suficientes nos domingos, vejo escapulários em táxis - sem dúvida a religião no Brasil é muito forte. As estatísticas mostram o alto nível de religiosidade, é possível ver e sentir isso morando no Brasil. Isso é interessante especialmente considerando as igrejas vazias da Europa. O Brasil é um exemplo de que religião não irá sumir com modernidade, como alguns pensadores previram.

Há alguma semelhança na religião do Brasil e Estados Unidos?
Há muitas semelhanças e ao mesmo tempo diferenças entre os dois países. Ambos têm altos níveis de religiosidade. Mas, até as últimas décadas, os caminhos das igrejas em relação à política foram muito diferentes. Enquanto a história da religião na América Latina era vinculada a Igreja Católica, nos EUA houve um pluralismo religioso que contribuiu para uma separação da igreja e estado mais destacado. Contudo, nas últimas décadas o poder político dos evangélicos e pentecostais em ambos os países é notável.

Como você analisa a visita do Papa ao Brasil?
Joseph Alois Ratzinger (Bento XVI) não tem o carisma de Karol Jozef Wojtyla, que se tornou o popular, Papa João Paulo II. Em sua visita ao Brasil o desafio de Ratzinger foi conquistar os católicos latino-americanos. Bento XVI mostrou notável habilidade e falou claramente em português, enfatizou seu amor pelo povo da América Latina e expressou uma mensagem consistente. Além disso, o Papa aconselhou aos católicos a manter uma separação entre igreja e política, no entanto, suas próprias ações não demonstraram essa separação já que ele mesmo excomungou políticos que apóiam a descriminalização do aborto. 

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