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Informativo Eletrônico Nº 11 - FEVEREIRO 2010
 Editorial
Destaques 

Prezado leitor,

Em sua 11ª edição, a primeira de 2010, o Informativo Fulbright traz para você informações importantes sobre o novo embaixador do Estados Unidos no Brasil, Thomas A. Shannon, e sobre o resultado das eleições da Associação dos Bolsistas e Ex-Bolsistas da Fulbright e as metas dos novos dirigentes.

Você vai conhecer, também, diferentes bolsistas e ex-bolsistas e suas experiências: o médico Luís Fernando Moreira, de Porto Alegre (RS), que participa do programa de Professor e Pesquisador Visitante na Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland (EUA); o engenheiro Carlos Henrique Ribeiro Lima, bolsista de doutorado na Universidade de Columbia, em Nova York, no período de 2005 a 2009; a enfermeira e bailarina norte-americana Marina Stankov-Hodge, ex-bolsista do Programa US Student; e Gabriela Cybis, do programa de Doutorado em Ciência, Tecnologia e Engenharia.

Outros assuntos desta edição são as inscrições para bolsas nos programas de Professor ou Pesquisador Visitante e de Doutorado em Ciência, Tecnologia e Engenharia, que estão abertas.

Como sempre, queremos contribuir, cada vez mais para a divulgação de nossos programas e para o aprimoramento do trabalho desenvolvido pela Comissão Fulbright. Para isso, contamos com a colaboração de todos vocês, sejam bolsistas, ex-bolsistas ou futuros bolsistas.

Boa leitura!

Luiz Valcov Loureiro
Diretor Executivo da Comissão Fulbright


Novo Embaixador
EUA tem novo embaixador no Brasil

Thomas A. Shannon é o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Ele apresentou suas credenciais ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no dia 4 de fevereiro de 2010, em cerimônia realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.

Premiação
Bolsista Fulbright/Capes recebe importante prêmio musical nos EUA

O bolsista de doutorado Fulbright/Capes, Gabriel da Fonseca Santiago, é um dos ganhadores do mais importante prêmio de composição em jazz dos Estados Unidos - o ASCAP Young Jazz Composer Award.


Eleições
Associação dos Bolsistas e ex-Bolsistas da Fulbright tem novos dirigentes

Carlos Portugal Gouvêa, de São Paulo, é o novo presidente do Conselho Diretor da Associação dos Bolsistas e ex-Bolsistas da Fulbright. Para o cargo de vice-presidente foi escolhido José Fernando Félix de Oliveira, de Recife. E Carlos Denner dos Santos Júnior, também de São Paulo, foi eleito para o cargo de tesoureiro. As eleições foram realizadas no período de 19 de dezembro de 2009 a 08 de janeiro de 2010, com a participação de 70 votantes.

Entrevista
Ser Professor Visitante na Universidade Johns Hopkins é uma distinção

O médico e professor Luís Fernando Moreira, de Porto Alegre, estará novamente em Baltimore, no Estado de Maryland, nos Estados Unidos, nos meses de março e abril, desenvolvendo atividades no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Johns Hopkins. Moreira, que tem especialização e doutorado em cirurgia oncológica pela Universidade de Okayama, no Japão, é bolsista Fulbright do Programa de Professor ou Pesquisador Visitante.


Doutorado
Para engenheiro de Brasília, doutorado nos EUA foi a realização de um sonho

Mais que uma realização profissional, fazer doutorado nos Estados Unidos foi a concretização de um objetivo pessoal que o engenheiro brasiliense Carlos Henrique Ribeiro Lima buscava há mais de 10 anos. “Foi a realização de um sonho que tinha desde o segundo ano da graduação, quando iniciei meus trabalhos de pesquisa”, diz Carlos Lima, que é formado em engenharia mecânica pela Universidade de Brasília (UnB), com graduação sanduíche na Universidade de Munique, na Alemanha, e mestrado em engenharia civil pela Universidade do Ceará (UFC).


US Student
Para norte-americana, experiência como bolsista foi incomparável

A enfermeira e bailarina norte-americana Marina Stankov-Hodge deu aulas de break dance na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ). E aproveitou sua formação em enfermagem para abordar, com os jovens brasileiros, assuntos ligados à saúde reprodutiva. Marina foi bolsista do Programa US Student, que oportuniza desenvolvimento pessoal e experiência internacional a recém graduados em áreas de ciências ou humanidades.


Fulbright-Ford
Ações afirmativas são importantes para maior diversidade intelectual

Ex-bolsista de programa da Fundação Ford e da Comissão Fulbright que prioriza candidatos negros ou indígenas originários das regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste do Brasil, o professor Breitner Tavares, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), acredita que programas de ações afirmativas são importantes para propiciar uma maior diversidade intelectual no país.

Science & Technology
Bolsa no exterior é oportunidade única

Formada em biologia pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS), com mestrado em matemática na mesma instituição, Gabriela Cybis faz doutorado em biomatemática na Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, com
bolsa do programa Science & Technology Award, da Fulbright.

EUA tem novo embaixador no Brasil

Thomas A. Shannon é o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Ele apresentou suas credenciais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 4 de fevereiro de 2010, em cerimônia realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.

Bacharel em Governo e Filosofia pelo College of William & Mary, com mestrado e doutorado em Ciências Políticas pela Oxford University, no Reino Unido, o embaixador Shannon é membro de carreira do Serviço Diplomático, onde já ocupou inúmeros cargos e funções. Mais recentemente, entre 2003 e 2005, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional como assessor especial para o Presidente e diretor sênior para o Hemisfério Ocidental e, de 2005 a 2009, serviu como secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental. No Brasil, ele ocupou o cargo de assessor especial do embaixador, na Embaixada dos EUA em Brasília, no período de 1989 a 1992.

O embaixador dos EUA ocupa o cargo de presidente honorário da Diretoria da Comissão Fulbright juntamente com o ministro de Relações Exterior doBrasil, Celso Amorim.


Thomas A. Shannon Jr. é o
novo embaixador dos EUA no Brasil

Bolsista Fulbright/Capes recebe importante prêmio musical
nos EUA


O bolsista de doutorado Fulbright/Capes, Gabriel da Fonseca Santiago, é um dos ganhadores do mais importante prêmio de composição em jazz dos Estados Unidos - o ASCAP Young Jazz Composer Award. Ele foi o único estrangeiro, este ano, a ganhar o prêmio que escolhe 15 compositores (sem posto ou colocação) em âmbito nacional. “Agradeço de coração à Capes e à Fulbright pelo suporte que tenho recebido”, disse o jovem premiado, em correspondência encaminhada às duas instituições.

Nos Estados Unidos desde agosto de 2008, Gabriel Santiago faz doutorado em música na Universidade do Texas, em Austin. Natural de Ilhéus (BA), ele é bacharel e licenciado em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), com mestrado em música pela mesma instituição.
 
INSCRIÇÕES ABERTAS

Professor ou Pesquisador Visitante

A Fulbright e a Capes selecionarão professores e/ou pesquisadores brasileiros, das diversas áreas do conhecimento, para dar aulas, realizar pesquisas e desenvolver atividades de orientação técnica e científica em renomadas instituições de ensino superior norte-americanas.

Os candidatos devem estar credenciados como docentes e orientadores em programas de pós-graduação reconhecido pela Capes. A duração total da bolsa é de 3 ou 4 meses, podendo ser dividida em dois períodos.

Os interessados em participar do Programa de Professor ou Pesquisador Visitante nos Estados Unidos podem se inscrever até o próximo dia 31 de março.

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Doutorado em Ciência, Tecnologia e Engenharia

A Fulbright está selecionando jovens brasileiros, talentosos e inovadores, preferencialmente do sexo feminino, formados nas áreas de ciência, tecnologia ou engenharia e com excelente desempenho acadêmico, para concorrer a bolsa de doutorado do Programa The International Fulbright Science and Technology Award for Outstanding Foreign Students. Os candidatos devem concluir a graduação até 1º de agosto de 2011.

As três melhores candidaturas participarão da competição internacional que vai selecionar os ganhadores para as 45 bolsas de doutorado pleno nas melhores universidades dos EUA.
As inscrições ficam abertas até o dia 8 de maio.

Saiba mais.




 


Gabriel Santiago foi um dos ganhadores do mais
importante prêmio de composição em jazz dos EUA

Associação dos Bolsistas e ex-Bolsistas da Fulbright tem novos dirigentes

Carlos Portugal Gouvêa, de São Paulo (SP), é o novo presidente do Conselho Diretor da Associação dos Bolsistas e ex-Bolsistas da Fulbright. Para o cargo de vice-presidente foi escolhido José Fernando Félix de Oliveira, de Recife (PE). E Carlos Denner dos Santos Júnior, também de São Paulo (SP), foi eleito para o cargo de tesoureiro. As eleições foram realizadas no período de 19 de dezembro de 2009 a 08 de janeiro de 2010, com a participação de 70 votantes.

Formado em direito pela Universidade de São Paulo, Carlos Portugal Gouvêa tem mestrado e doutorado pela Faculdade de Direito de Harvard. Iniciou sua carreira como coordenador de redes da ONG Conectas Direitos Humanos, com o objetivo de apoiar organizações da África, Ásia e América Latina. Atualmente, é sócio da Advocacia Portugal Gouvêa, na capital paulista.

Três pontos resumem os objetivos de Portugal Gouvêa no novo cargo: estimular a comunidade de “Fulbrighters” no Brasil e no mundo, favorecer as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, e promover o programa Fulbright. “Para resumir, acho que o objetivo é o mesmo do Senador Fulbright quando criou o programa, que era o de ampliar o intercâmbio e o entendimento internacional”, diz.

À frente da associação, seu primeiro objetivo é criar uma verdadeira rede de Fulbrighters no Brasil: que se conheçam uns aos outros, que tenham os contatos dos demais Fulbrighters e que possam se falar, quando tiverem oportunidade. Depois, acredita, seria necessário ter um canal constante de informações para que uns saibam o que os outros estão fazendo. “Queremos ter um bom “facebook” dos membros da associação, no qual todos possam conhecer os demais membros, mesmo à distância, queremos fazer um boletim regular com informações sobre os membros e organizar reuniões sociais, acadêmicas e de negócios nos primeiros meses de atividade da associação”, adianta.

Projeto social – Além disso, Portugal Gouvêa pretende inovar e sugere o desenvolvimento de um projeto social da associação onde os Fulbrighters possam contribuir, com suas diversas habilidades e conhecimentos representando, de forma concreta, os benefícios que os programas Fulbright trazem para a sociedade. “Seria interessante que tal projeto fosse um intercâmbio com projetos de organizações sociais dos Estados Unidos, e também projetos desenvolvidos por Fulbrighters em outros países. Acho que um projeto construído assim, conjuntamente, seria muito motivador para todos os membros da associação”, salienta.
Missão – Para o vice-presidente, Fernando Félix, que já ocupou o cargo de presidente da Associação, por dois mandatos, a principal missão de um vice-presidente é aconselhar, contribuir e buscar abrir caminhos e estratégias para a consolidação do papel da entidade, em suporte às ações do presidente eleito. Formado em engenharia eletrônica, com mestrado em engenharia de sistemas pela Universidade Federal de Pernambuco, ele trabalha, atualmente, como consultor na Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). Dentre os valores e ações em que Fernando Félix acredita estão: consolidar a presença nacional da Associação de Bolsistas e ex-Bolsistas Fulbright, em cada região brasileira; promover ações práticas que catalisem o potencial e o conhecimento acumulado pelos bolsistas nas diversas áreas do conhecimento humano; e trabalhar no sentido de buscar a sustentabilidade da Associação, tendo como meta alcançar autonomia ao final do período da gestão.

O novo tesoureiro, Carlos Denner, é graduado em administração, mestre em estratégia corporativa e financeira, e doutor em sistemas de informação. Atualmente, faz pós-doutorado no IME-USP. Foi professor da Fundação Educacional Montes Claros, UFMG, FUMEC, e Southern Illinois University e participou de vários comitês para o desenvolvimento de políticas de uso e manutenção de tecnologia de informação.

Acompanhe os resultados da eleição:

Conselho Diretor:
Presidente: Carlos Portugal Gouvêa, (Harvard University, 2003-04)
Vice-Presidente: Fernando Félix (Washington University, 1994-95)
Tesoureiro: Carlos Denner (Southern Illinois University, 2005-09)

Conselho Fiscal:
Conselheira: Christiane Arruda (University of Texas, 2008-09
Conselheira: Neusa M. Bastos F. Santos (University of Michigan, 1989-90)
Conselheira: Ester Kosovski (University of Michigan, 1987-90)

Suplente 1: Richard Vasques (University of Michigan, 2005-09)
Suplente 2: Dinah Guimaraens (New York University, 1994-98)
Suplente 3: Breitner Tavares (UC Berkeley, 2007-2008)


Carlos Portugal Gouvêa

Fernando Félix

Ser Professor Visitante na Universidade Johns Hopkins é uma distinção

O médico e professor Luís Fernando Moreira, de Porto Alegre (RS), estará novamente em Baltimore, no Estado de Maryland, nos Estados Unidos, nos meses de março e abril, desenvolvendo atividades no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Johns Hopkins. Moreira, que tem especialização e doutorado em cirurgia oncológica pela Universidade de Okayama, no Japão, é bolsista Fulbright do Programa de Professor ou Pesquisador Visitante. Ele irá concluir sua participação no programa, desdobrada em dois períodos, sendo que a primeira parte foi realizada em setembro e outubro de 2009.

De acordo com Moreira, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pesquisador sênior do Hospital de Clínicas, e cirurgião oncológico do Hospital Moinhos de Vento, ser professor visitante na Universidade Johns Hopkins é uma distinção que vai carregar para sempre, com orgulho, graças à Fulbright. Para ele, um dos pontos mais importantes dessa experiência é o fato de aprimorar a visão quanto à busca de excelência e o desenvolvimento do professor universitário como um todo: a prática de ensino, assistência, e pesquisa.

1.O que a Universidade Johns Hopkins tem a oferecer a um médico e pesquisador brasileiro e que não pode ser encontrado aqui no Brasil?
Os pontos mais importantes do meu aprendizado técnico se referem (1) ao aprimoramento das técnicas de ressecções hepáticas e de tumores de vias biliares e pancreáticas (onde a Hopkins é um dos centros de referência e tem alto volume de procedimentos); (2) o treinamento em cirurgia robótica (cirurgia realizada com o auxílio de um robô - o sistema Da Vinci - que permite procedimentos cirúrgicos complexos com maior segurança (cirurgia cardíaca, neurológica, torácica e intraabdominal) e que para determinados procedimentos tem demonstrado performance muito superior a cirurgia convencional (no meu caso, tumores esofágicos, por exemplo) e, (3) a experiência de dar aula num país sabidamente muito mais exigente se comparados aos nossos padrões de exigência habitual na prática educacional e acadêmica do dia a dia. Mas o mais importante de tudo isso, é o fato de aprimorar a visão quanto à busca de excelência e o desenvolvimento do professor universitário como um todo, isto é, a prática de ensino, assistência e pesquisa; moto desenvolvido na Hopkins ainda lá no final do século XIX e que estabeleceu a Hopkins como o berço da medicina moderna, consistentemente alicerçada na pesquisa e no ensino como a forma correta de desenvolver assistência médica de qualidade colocando-a como um marco de padrão médico reconhecidamente estabelecido entre os seus pares. Ser avaliado, participar e ser referendado em um sistema com esse nível de exigência é o mesmo que ser acreditado (certificado) como tendo excelência acadêmico-científica.

2.Quais as principais atividades que o senhor realizou durante o período em que esteve na Universidade Johns Hopkins?
Desenvolvi, primariamente, as atividades acadêmicas em relação à assistência de pacientes com tumores gastrointestinais. Acompanhei todas as atividades clínicas de discussões pré- e pós-operatórias de diagnóstico, tratamento, morbidade e mortalidade bem como reuniões científicas específicas de orgãos-alvo do meu interesse de estudos (fígado, pâncreas, cólon e reto, estômago e esôfago) e de procedimentos cirúrgicos diversos, com técnicas semelhantes as nossas mas com tecnologia de abordagem e volume de pacientes muito além do que temos aqui no Brasil. Participei ainda de cursos online quanto a ética médica e de pesquisa, pesquisa com animais de laboratório e pesquisa com seres humanos. E darei uma disciplina de tumores gastrointestinais, abordando as diferenças clínico-epidemiológicas de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

3. O que representou essa experiência para sua vida pessoal e profissional
O Programa de Professor Visitante é um dos melhores programas de que já participei até hoje. Pessoalmente, isto tem para mim uma importância extraordinária, haja vista que este tipo de programa é altamente seletivo e só por isso já seria uma honra participar dele. Além disso, embora a própria Fulbright sugira instituições menores e menos conhecidas para se ter melhores chances de ser selecionado, fui classificado e selecionado para nada mais nada menos do que o melhor hospital universitário dos EUA e uma das instituições de maior prestígio e reconhecimento internacional. Não bastasse isso, Hopkins é o berço da cirurgia oncológica (minha especialidade), tendo colocado seu nome na história da medicina muito mais que qualquer outra instituição. Isto é uma distinção que poucos conseguirão ter e que, através da Fulbright, terei orgulho de carregar comigo até o ultimo dos meus dias, com muita honra.
Profissionalmente, aprimorarei as minhas técnicas de pesquisa, o que já me renderá muitas publicações científicas e o desenvolvimento de projetos de pesquisa em novas linhas, tais como robótica e tratamento de tumores disseminados no abdômen e no tórax, técnicas ainda restritas a poucos profissionais no mundo. Um novo tipo de profissional é necessário na cirurgia oncológica, aquele profissional que sabe lidar com casos especiais que são inicialmente incuráveis e inoperáveis e que se tornam curáveis e operáveis, o que chamamos de downstaging. Na Hopkins tenho a oportunidade de ver vários casos destes, em pouco tempo. Academicamente, vou melhorar muito a minha capacidade de pesquisa e a minha experiência na captação de recursos para pesquisa (coisa importantíssima em nosso meio). E por fim, terei treinamento específico em robótica, coisa necessária no país e que certamente tem menos de 15 a 20 profissionais específica e formalmente treinados nesse campo da medicina. Creio que seja muito importante que outros profissionais brasileiros, principalmente aqueles especialistas e qualificados, tenham acesso a este tipo de programa se estiverem ligados ao sistema de ensino e pesquisa quando no seu retorno ao país. Em caso contrário, fica muito difícil aplicar os conhecimentos e o desenvolvimento tecnológico adquiridos.

4. Qual o trabalho que o senhor realizou e ainda fará nos EUA, com relação à divulgação da ciência, tecnologia e cultura brasileira?
Especificamente com relação à divulgação da ciência, tecnologia, e cultura brasileira, um dos pontos que me pareceu mais interessar aos americanos é como pratico e ensino medicina em um país em desenvolvimento, depois de ter feito cirurgia geral na Inglaterra e cirurgia oncológica no Japão. Assim, a minha experiência em trabalhar com recursos reduzidos e diferentes condições de planos de saúde privados e públicos e mesmo pacientes sem plano algum, despertou-lhes a curiosidade do tipo de abordagem que fazemos aqui, até porque nesse momento os EUA estudam maneiras de melhorar e ampliar seus sistemas de saúde. Essa experiência de abordagem sob dificuldades de recursos associada com diferenças de apresentação, incidência e diagnóstico dos tumores gastrointestinais foi o que levei de interessante para os estudantes norte-americanos.
Quanto à cultura ou informações sobre o Brasil, meu foco ficou no sul do país, o Mercosul como um todo e a região do pampa continentino (que abarca gaúchos, argentinos e uruguaios como um todo). Sem dúvida, as diferenças locais de dois grandes representantes dos pampas (o churrasco e o mate) foram os temas mais discutidos. Secundariamente, se abordou muito a questão das diferenças de costumes entre o centro, o norte e o sul do Brasil. Para a segunda parte do programa estão previstos alguns seminários a respeito dos costumes do sul do país, comparados ao costumes de outros estados.

5. Em seu segundo período, suas atividades serão as mesmas e no mesmo local? Qual a vantagem de se fazer um desdobramento no período da bolsa?
Basicamente sim. Tenho atividades didáticas a desenvolver ainda lá, tenho a continuidade do aprendizado de robótica e estou envolvido em cinco projetos de pesquisa, dos quais dois em fase final de análise e redação de artigos e pretendo ainda completar os outros três durante esta segunda fase. Paralelamente a isso, pretendo dedicar um tempo para trocar experiências culturais e educacionais sobre a medicina e a cirurgia no Brasil e inteirar-me mais sobre a Fulbright, para melhor contribuir com os seus eventos e divulgação do seu programa quando do retorno ao país.
Quanto a vantagem de se utilizar o programa em duas partes, achei importantíssimo, pois como em medicina o desenvolvimento da prática médica é embasado na tríade assistência, ensino e pesquisa, ter este programa de professor visitante em duas partes permite que no intervalo se possa reavaliar o que foi feito e rediscutir, de volta na universidade, possíveis pontos a serem mais enfocados para então retornar ao EUA com uma releitura do que é necessário fazer e focar em termos acadêmicos.

Conheça o Programa de Professor ou Pesquisador Visitante nos EUA


Luís Fernando Moreira é professor visitante na
Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (EUA).

Para engenheiro de Brasília, doutorado nos EUA foi a realização de um sonho

Mais que uma realização profissional, fazer doutorado nos Estados Unidos (EUA) foi a concretização de um objetivo pessoal que o engenheiro brasiliense Carlos Henrique Ribeiro Lima buscava há mais de 10 anos. “Foi a realização de um sonho que tinha desde o segundo ano da graduação, quando iniciei meus trabalhos de pesquisa”, diz Carlos Lima, que é formado em engenharia mecânica pela Universidade de Brasília (UnB), com graduação sanduíche na Universidade de Munique, na Alemanha, e mestrado em engenharia civil pela Universidade do Ceará (UFC).

Ele fez doutorado na Universidade de Columbia, em Nova York, no período de 2005 a 2009, com bolsa Fulbright/Capes e agora participa de estágio pós-doutoral na mesma instituição, selecionado pelo excelente trabalho que desenvolveu ao longo do doutorado. “A experiência de estar em uma universidade de ponta, com profissionais altamente competentes e de todas as partes do mundo, numa constante busca pela excelência profissional, nos enriquece extraordinariamente e nos mostra caminhos e idéias até então desconhecidos”, acredita.

Carlos Lima explica que escolheu a Universidade de Columbia pela reconhecida excelência da sua estrutura física e pelo seu quadro profissional, no qual destaca seu orientador, o professor Upmanu Lall. Segundo ele, na área que escolheu – Clima e Recursos Hídricos - a Universidade de Columbia desenvolve um programa integrado, sem similar em nenhuma universidade de qualquer país, que contempla todos os ciclos da pesquisa científica. “Em linhas gerais, buscamos o desenvolvimento de modelos matemáticos que possam dar suporte ao gerenciamento dos recursos hídricos e energéticos do nosso país”, esclarece.

Em seus estudos pós-doutorais, ele trabalha com aplicação de modelos estatísticos Bayesianos e métodos de machine learning para previsão de vazões ao sistema hidroelétrico brasileiro e para o estudo e previsão de eventos de cheia. “Temos trabalhado também com o desenvolvimento de modelos matemáticos que proporcionem um melhor entendimento e previsões dos dias de início e fim e duração da estação chuvosa no Nordeste brasileiro, informação esta de extrema importância para a sustentabilidade da agricultura local”, adianta o pesquisador.

Em 2009, Carlos Lima recebeu o Prêmio Jovem Pesquisador, da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) e Unesco, por seu artigo: Análise temporal e regional de cheias anuais por meio de um modelo hierárquico Bayesiano.

Saiba mais sobre o Programa de Doutorado nos EUA


Carlos Lima recebeu o Prêmio Jovem Pesquisador

Para norte-americana, experiência como bolsista foi incomparável

A enfermeira e bailarina norte-americana Marina Stankov-Hodge deu aulas de break dance na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ). E aproveitou sua formação em enfermagem para abordar, com os jovens brasileiros, assuntos ligados à saúde reprodutiva. Marina foi bolsista do Programa US Student, que oportuniza desenvolvimento pessoal e experiência internacional a recém graduados em áreas de ciências ou humanidades.

Para ela, foi uma experiência incomparável que deveria ser tentada por todos. “Foi algo que deixou minha vida muito mais em foco e acabou me dando uma confiança imensa para continuar seguindo meu caminho”, destaca Marina, que até janeiro último desenvolvia suas atividades no Instituto Dois Irmãos, uma organização não governamental com sede nos Estados Unidos e no Brasil, criada para providenciar oportunidades educacionais para os moradores da Favela da Rocinha. Na área profissional, a experiência não só abriu muitas portas como possibilitou que Marina fizesse novos contatos. “Não tenho dúvidas de que essa experiência é um presente que continuará dando cada vez mais para mim e para os outros”, acredita.

Quando chegou ao Brasil pela primeira vez, há dois anos, o Instituto Dois Irmãos trabalhava só com aulas de idiomas, mas abriu espaço para que ela desse aulas de dança, como fazia nos Estados Unidos. “Encontrei muitas meninas por ali, mas a maioria de meus alunos eram garotos”, conta Marina. Ela diz que gostaria de ter mais meninas como alunas, mas muitas desistiram porque acreditavam que não tinham força física suficiente para dançar breaking. Quando seu dinheiro acabou e viu que não poderia ficar mais tempo no Brasil tentou obter uma bolsa na Fulbright e conseguiu. A bolsa do US Student possibilitou sua permanência no Rio de Janeiro. “Montei o projeto de novo, com diferentes alunos, sendo a maioria meninas! Fiquei muito feliz por ver que elas estão evoluindo”, salienta.

Nos Estados Unidos, ela trabalhava como professora de dança e como bailarina, fazendo apresentações junto com seu grupo - Extra Credit Kru. Também participava de peças de teatro e competições. No Brasil, ela integrou o grupo chamado BSB ou Brasil Style Bgirls e fez parte da equipe de hip hop Zulu Kingz/Qweenz.

Saiba mais sobre o U.S. Student



Marina Stankov-Hodge deu aulas de break dance
na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ)

Ações afirmativas são importantes para maior diversidade intelectual

Ex-bolsista de programa da Fundação Ford e da Comissão Fulbright que prioriza candidatos negros ou indígenas originários das regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste do Brasil, o professor Breitner Tavares, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), acredita que programas de ações afirmativas são importantes para propiciar uma maior diversidade intelectual no país.

Licenciado em ciências sociais e bacharel em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), ele fez mestrado e doutorado em sociologia também pela UnB, e doutorado-sanduíche na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Breitner atua no Programa de Pós Graduação em Sociologia e desenvolve pesquisas com ênfase em metodologias qualitativas, cultura urbana e análise de políticas públicas nas áreas de gênero/sexualidade, raça/etnia, geração/juventude.

“Sempre desejei realizar a experiência de um estágio acadêmico nos Estados Unidos, contudo, antes que isso se tornasse possível, tive que enfrentar diversas restrições no que se refere à trajetória no ensino superior, tão comuns para pessoas negras e de classe popular no Brasil”, enfatiza. Ele conta que, em 2005, quando iniciava o doutorado na UnB, decidiu submeter seu projeto no Programa Internacional de Bolsas (IFP) da Fundação Ford, quando foi selecionado e aprovado. Em 2006, ficou sabendo da existência do programa da Fulbright para estágio de doutorando, baseado na perspectiva das ações afirmativas no exterior. Antes mesmo de se candidatar, já mantinha contato com pesquisadores nos EUA, especialmente no Departamento de Estudos Étnicos da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Esse contato prévio foi decisivo para a minha decisão de participar do programa”, ressalta.

Em Berkeley, Breitner manteve contato com pesquisadores dos departamentos de Estudos Étnicos, Sociologia e Antropologia. Também participou de alguns grupos de pesquisa, como Afrolatinos Work Group e Hip Hop Work Group. “Em termos gerais, me concentrei no estudo de teorias voltadas para questões relacionadas à produção da cultura no contexto étnico racial e novas configurações de estilos de vida na contemporaneidade”, explica. O foco dessas pesquisas estava voltado a uma compreensão sistêmica da produção de discursos em relação àqueles sujeitos históricos definidos como “subalternos” ou do “terceiro mundo”.

Logo que chegou, ele morou em um alojamento nas imediações da universidade, onde conviveu com estudantes do mundo inteiro. Depois se mudou para Oakland, cidade portuária incluída entre as mais violentas do EUA. Segundo ele, em alguns bairros, a juventude estava dividida pela criação de barreiras étnicas e do narcotráfico e havia confronto entre grupos rivais. Ele visitou diversas organizações voltadas ao trabalho social com a juventude e pretendia, inicialmente, realizar algumas entrevistas para uma abordagem comparativa com a juventude de Ceilândia (DF) no Brasil, que vivia problemas semelhantes. Em função de sua extensa agenda na Universidade de Berkeley, essa proposta foi adiada, mas não esquecida: faz parte de seus planos para o futuro, em um estágio de pós doutorado.

Saiba mais sobre Bolsas de Estágio nos EUA Fulbright-Ford


Breitner Tavares fez doutorado-sanduíche
na Universidade da Califórnia, em Berkeley

Bolsa no exterior é oportunidade única

Formada em biologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com mestrado em matemática na mesma instituição, Gabriela Cybis faz doutorado em biomatemática na Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, com bolsa do programa Science & Technology, da Fulbright.

Para ela, essa bolsa foi uma de suas maiores conquistas profissionais: “é uma oportunidade única, que certamente vai ter uma grande influência no meu futuro e na minha forma de ver o mundo”, acredita a jovem, que convive no campus da universidade com pessoas que têm diferentes histórias de vida e culturas. “Isso é muito legal”, acredita.

Segundo Gabriela, o ambiente de trabalho é bastante diferente, com muito mais expectativa e demanda do que no Brasil, o que acaba propiciando muito a produtividade. “Vir para os Estados Unidos é uma oportunidade única e riquíssima, tanto em termos culturais quanto profissionais, mas essa decisão não veio sem um certo sacrifício da minha vida pessoal”, ressalta.

Saiba mais sobre o Science & Technology Award


Gabriela Cybis faz doutorado em
biomatemática na UCLA, em Los Angeles
 

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