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Informativo Eletrônico Nº 12 - ABRIL 2010
 Editorial
Destaques 

Prezado leitor,

O Informativo Fulbright traz para você, nesta 12ª edição, diferentes experiências vividas por bolsistas e ex-bolsistas. Você vai conhecer a bolsista do Foreign Language Teaching Assistance (FLTA), Lúcia Novaes; o bolsista do Programa de Direitos Humanos na Universidade de Notre Dame, Gilberto Marcos A. Rodrigues; a ex-bolsista do Programa de Doutorado nos EUA, Ana Paula Karruz; e o ex-bolsista do Programa de Doutorado Sanduíche, Salomão A. Mufarrej Hage.

Outros assuntos deste número são: a visita à Fulbright, em março deste ano, do vice-secretário da Educação dos EUA, Tony Miller; os seminários para estudantes e professores norte- americanos que a Fulbright vai realizar, em maio e em julho próximos; e a abertura de inscrições para bolsas dos programas de Doutorado em Ciência, Tecnologia e Engenharia; Ciências Agrícolas na Universidade de Nebraska; Direitos Humanos na Universidade de Notre Dame; e Hubert H. Humphrey. de aperfeiçoamento profissional.

Boa leitura!

Luiz Valcov Loureiro
Diretor Executivo da Comissão Fulbright


Visita
Vice-secretário da Educação dos EUA visita Fulbright

O vice-secretário da Educação dos Estados Unidos, Tony Miller, esteve em visita à Comissão Fulbright, em Brasília, no último mês de março, acompanhado da secretária de Educação Adjunta para Direitos Civis, Russlynn Ali

Seminários
Fulbright promove seminários para professores e estudantes dos EUA

A Fulbright irá promover um seminário regional com 30 estudantes norte-americanos participantes do programa U. S. Student no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. O Regional Enhancement Seminar será realizado em maio próximo, em Salvador, na Bahia.


Doutorado nos EUA
De volta ao Brasil, ex-bolsista dá início a um novo ciclo

Depois de quatro anos nos Estados Unidos como bolsista do Programa de Doutorado Capes/Fulbright, Ana Paula Karruz retorna ao Brasil e dá início a um novo ciclo em sua vida profissional. Ela atua, desde o dia 1° de abril, na filial da empresa norte-americana de consultoria de gestão McKinsey & Company, em São Paulo.

Direitos Humanos
Responsabilidade de Proteger é tema de pesquisa de professor brasileiro
O professor de Direito Internacional da Universidade Católica de Santos (Unisantos), Gilberto Marcos Antonio Rodrigues, é o primeiro participante do Programa de Bolsa Fulbright em Direitos Humanos, na Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos.

Doutorado Sanduíche
Bolsas da Fulbright abrem muitas possibilidades para pesquisadores

Professor do Instituto de Ciências da Educação, da Universidade Federal do Pará (UFPA), Salomão Antônio Mufarrej Hage é assessor da Câmara de Políticas de Desenvolvimento Sócio-Culturais, da Secretaria Estadual de Governo.


Programa FLTA
Morar em outro país é diferente de qualquer outra experiência
Bolsista Fulbright do programa Foreign Language Teaching Assistance (FLTA), Lúcia Novaes está nos Estados Unidos desde agosto de 2009. Formada em letras, habilitação em português e inglês, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela dá aulas de português na Haskell Indian Nations University, em Lawrence, Kansas, voltada para alunos de ascendência indígena.

Vice-secretário da Educação dos EUA visita Fulbright

O vice-secretário da Educação dos Estados Unidos, Tony Miller, esteve em visita à Comissão Fulbright, em Brasília, no último mês de março, acompanhado da secretária de Educação Adjunta para Direitos Civis, Russlynn Ali, e da adida cultural da Embaixada dos Estados Unidos, Jean Manes. Os visitantes foram recebidos pelo diretor-executivo da Fulbright, Luiz Valcov Loureiro.

Durante sua passagem por Brasília, Tony Miller assinou acordo de cooperação com o ministro da Educação do Brasil, Fernando Haddad, com o objetivo de reforçar parcerias educacionais anteriormente firmadas. O documento é um anexo ao Memorando de Entendimento na Área de Educação assinado pelos dois países em 1997 e reafirmado em 1999 e em 2007.


Da esquerda para a direita, a adida cultural da Embaixada dos Estados Unidos, Jean Manes, o diretor-executivo da Fulbright, Luiz Loureiro, a secretária de Educação Adjunta para Direitos Civis, Russlynn Ali, e o vice-secretário da Educação dos Estados Unidos, Tony Miller.
Fulbright promove seminários para professores e estudantes dos EUA

A Fulbright irá promover um seminário regional com 30 estudantes norte-americanos participantes do programa U. S. Student no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. O Regional Enhancement Seminar será realizado em maio próximo, em Salvador, na Bahia.

Em julho, o Seminário de Verão vai reunir 14 professores de ensino médio e four year colleges dos Estados Unidos, para que conheçam o trabalho que está sendo realizado no Brasil, em termos de políticas públicas para populações indígenas e afro-descendentes.

Durante 30 dias, o grupo irá percorrer diferentes cidades de sete estados brasileiros, além do Distrito Federal: Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, e São Paulo. Na oportunidade, os visitantes participarão de palestras e conferências, farão visitas a áreas rurais e indígenas, e manterão contatos com pesquisadores, representantes governamentais, além da população em geral.

“Os dois eventos serão excelentes oportunidades para que os visitantes possam compartilhar experiências e estabelecer novos contatos”, garante o diretor executivo da Fulbright, Luiz Valcov Loureiro.
De volta ao Brasil, ex-bolsista dá início a um novo ciclo

Depois de quatro anos nos Estados Unidos como bolsista do Programa de Doutorado Capes/Fulbright, Ana Paula Karruz retorna ao Brasil e dá início a um novo ciclo em sua vida profissional. Ela atua, desde o dia 1° de abril, na filial da empresa norte-americana de consultoria de gestão McKinsey & Company, em São Paulo. “Devo esta oportunidade à Comissão Fulbright do Brasil”, salienta. A Comissão, comprometida com o processo de retorno de seus bolsistas e com a empregabilidade dos novos doutores, fez uma parceria com a McKinsey & Co. que já resultou em seis contratações.

Bacharel em ciências econômicas pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em administração pública e governo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Paula fez o doutoramento na George Washington University (GWU), em Washington DC. Sua tese, na área de Políticas de Educação no Ensino Superior, foi intitulada Remedial Education and Success in First College-Level Courses: Evidence from Florida.

Ela explica que o programa da GWU chamou sua atenção pela variedade de áreas de concentração oferecidas, quando ainda pesquisava os programas de doutorado oferecidos por várias universidades. “Segui a trilha de políticas urbanas e sociais”, conta. Segundo Ana Paula, ela se interessou pelo trabalho do George Washington Institute of Public Policy (GWIPP), centro de pesquisa sediado na GWU, onde acabou trabalhando como auxiliar de pesquisa por dois anos e aprendeu as técnicas de pesquisa que aplicou em sua tese.

“Houve momentos difíceis, principalmente no começo, enquanto eu aprendia sobre as exigências do programa de doutorado e sobre a cidade, e aos poucos ia estabelecendo as primeiras amizades”, diz Ana Paula, a respeito do período em que fez seu doutoramento. Por outro lado, ressalta que são muitos os pontos positivos. “O mais importante foi encontrar pessoas bondosas e pacientes que me acolheram tão bem e me ensinaram muito. Refiro-me aos colegas de doutorado, aos professores, e a minha orientadora, mas também a amizades que fiz em outros ambientes, inclusive através de eventos promovidos pela Fulbright, como o Enrichment Seminar”, esclarece. Saiba mais sobre o Doutorado nos EUA.


Ana Paula Karruz inicia novas atividades em São Paulo.
Responsabilidade de Proteger é tema de pesquisa de professor brasileiro

O professor de Direito Internacional da Universidade Católica de Santos (Unisantos), Gilberto Marcos Antonio Rodrigues, é o primeiro participante do Programa de Bolsa Fulbright em Direitos Humanos, na Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos. Ele desenvolve projeto de pesquisa sobre o tema Responsability to Protect (RtoP): Latin American Views, no Center for Civil & Human Rights (CCHR) da Faculdade de Direito daquela universidade.

O tema de sua pesquisa, sobre a Responsabilidade de Proteger (RtoP), tem atraído a curiosidade dos estudantes. Segundo Gilberto Rodrigues, “trata-se da obrigação dos Estados de prevenir, reagir e reconstruir em casos de crimes de genocídio, crimes de guerra contra a humanidade e limpeza étnica”. Outro fato que tem despertado o interesse de seus alunos é o novo papel que o Brasil está exercendo na política internacional, como um dos BRICs (Sigla dos países que se destacaram pelo rápido crescimento de suas economias em desenvolvimento: Brasil, Rússia, Índia e China).

Ele diz que a Universidade de Notre Dame é um ambiente muito rico para se pensar e refletir sobre os direitos humanos no Brasil e no mundo, pois além da instituição ser um centro de excelência acadêmica nos EUA, o CCHR, especificamente, tem um compromisso com a prática dos direitos humanos no mundo. “O CCHR atua na Suprema Corte Americana em favor dos direitos humanos, monitora a situação de direitos humanos nos EUA e em outros países, como a Guatemala, e tem um grupo de estudantes de mestrado em direitos humanos de vários países, que seguramente atuará de forma qualificada e consciente em seus locais de origem e em organismos regionais e da sociedade civil”, salienta.

 
INSCRIÇÕES ABERTAS

Doutorado em Ciência, Tecnologia e Engenharia

A Fulbright está selecionando jovens brasileiros, talentosos e inovadores, preferencialmente do sexo feminino, formados nas áreas de ciência, tecnologia ou engenharia e com excelente desempenho acadêmico, para concorrer à bolsa de doutorado do programa The International Fulbright Science and Technology Award for Outstanding Foreign Students. Os candidatos devem concluir a graduação até 1º de agosto de 2011.

As três melhores candidaturas participarão da competição internacional que vai selecionar os ganhadores para 45 bolsas de doutorado pleno nas melhores universidades dos EUA. As inscrições ficam abertas até o dia 8 de maio. Saiba mais.

Bolsa Fulbright em Ciências Agrícolas na Universidade do Nebraska

Professores e pesquisadores das áreas de ciências agrícolas interessados em concorrer à Bolsa Fulbright em Ciências Agrícolas na Universidade do Nebraska, Lincoln (UNL), nos Estados Unidos, podem se inscrever até 31 de maio próximo. A bolsa será concedida para o período de janeiro a maio de 2011.

Terão preferência candidatos com atuação nas áreas de bioenergia com ênfase em biodiesel, gaseificação, matéria primas de biomassa e áreas afins, com pouca ou nenhuma experiência acadêmica prévia nos EUA.

Os interessados deverão comprovar, entre outros pontos, dez anos de experiência profissional qualificada na área, com produção intelectual compatível e fluência em inglês.

Benefícios - O candidato selecionado terá direito a uma bolsa mensal de US$ 4.500,00 pelo período de quatro meses; passagem aérea de ida e volta em classe econômica promocional; seguro saúde; e auxílio instalação no valor de US$ 2.000,00. Outros benefícios são: moradia, sem custos, na cidade de Lincoln, Nebraska, de acordo com o padrão oferecido a professores visitantes na universidade e acesso às instalações e serviços da UNL, tais como escritório, internet, laboratórios, e bibliotecas. Saiba mais.

Bolsa Fulbright em Direitos Humanos
Doutores brasileiros com pelo menos dez anos de experiência profissional qualificada na área de direitos humanos e produção intelectual compatível podem concorrer ao Programa de Bolsa Fulbright em Direitos Humanos na Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos. As inscrições devem ser feitas até 31 de maio de 2010.

A bolsa será concedida no período de janeiro a maio de 2011. Será dada preferência a candidatos com pouca ou nenhuma experiência acadêmica prévia nos EUA.

O programa prevê a concessão de uma bolsa, por até três meses, no valor mensal de US$ 4.500,00 e auxílio instalação de US$ 2.000,00. O selecionado também terá direito a passagens aéreas de ida e volta; moradia, sem custos, na cidade de Notre Dame; seguro saúde; e acesso às instalações e serviços da universidade, tais como: escritório, internet, laboratórios e bibliotecas. Saiba mais.
Bolsas de aperfeiçoamento profissional nos EUA – Programa Hubert H. Humphrey
A Comissão Fulbright recebe inscrições, até 13 de junho, para bolsas de estudos nos Estados Unidos, por meio do Programa Hubert H. Humphrey 2011/2012. Podem concorrer profissionais brasileiros do setor público e do terceiro setor (ONGs), em meio de carreira, preferencialmente empreendedores sociais com comprovado potencial de liderança. Terão prioridade os candidatos oriundos de setores subrepresentados, por razões econômicas, em programas internacionais de aprimoramento educacional e profissional.

Os profissionais devem atuar em uma das seguintes áreas: desenvolvimento e economia agrícola; direito (foco em direitos humanos); drogas (educação, prevenção e tratamento); manejo de recursos naturais e meio ambiente; planejamento urbano e regional (foco em habitação popular); políticas e administração de tecnologia (foco em inovação); políticas e planejamento educacional (democratização, acesso e equidade do ensino superior); tráfico de pessoas (políticas de prevenção).

O início do programa está previsto para o período de julho a setembro de 2011, com término em junho de 2012. Os candidatos selecionados terão direito, entre outros benefícios, a bolsa mensal com valor entre US$ 1.700 a US$ 2.500, de acordo com a localidade. Saiba mais.



 
Para o professor brasileiro, a vivência da universidade, seus valores, o cuidado e respeito com a comunidade cadêmica, tudo isso ajuda a repensar e a ajustar a realidade acadêmica no Brasil, de acordo com os nossos parâmetros culturais. Além da apresentação pública de seu projeto no CCHR, ele organizou um seminário sobre o tema de sua pesquisa e recebeu convites para discutir seu projeto no Institute for Latino Studies, em Notre Dame. Também realizou uma palestra no Museu de Arte Mexicano, em Chicago. “Viver em Notre Dame e nos EUA, em um contexto de grandes desafios e mudanças do país, é uma experiência fascinante”, acredita Gilberto Rodrigues, que pretende reunir suas reflexões em um artigo a ser publicado em uma revista acadêmica.

Bacharel em direito, especialista em resolução de conflitos pela Universidade de Uppsala, com mestrado (UPEACE, Costa Rica) e doutorado (PUC-SP) em relações internacionais, Gilberto Rodrigues também é membro do Grupo de Análises de Prevenção de Conflitos Internacionais (GAPCon), no Rio de Janeiro, integrante da Coordenação Regional de Estudos Econômicos e Sociais (Cries), em Buenos Aires, e da Coalizão Internacional para a Responsabilidade de Proteger (ICRtoP). Além disso, edita a revista Leopoldianum, de ciências humanas e sociais, e coordena a Cátedra Sérgio Vieira de Mello sobre Direitos Humanos e Refugiados, em parceria com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Brasília. Saiba mais sobre a bolsa em Direitos Humanos.



O professor da Unisantos, Gilberto Rodrigues, é o primeiro participante do Programa de Bolsa
Fulbright em Direitos Humanos.
Bolsas da Fulbright abrem muitas possibilidades para pesquisadores

Professor do Instituto de Ciências da Educação, da Universidade Federal do Pará (UFPA), Salomão Antônio Mufarrej Hage é assessor da Câmara de Políticas de Desenvolvimento Sócio-Culturais, da Secretaria Estadual de Governo. Graduado em pedagogia e em agronomia, com mestrado e doutorado em Educação, coordena o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia (Geperuaz). Também é consultor internacional pelas Nações Unidas na Guiné Bissau, onde coordena a elaboração e implementação do Programa de Formação de Educadores.

Ex-bolsista Fulbright-Capes de doutorado sanduíche na Universidade de Wisconsin-Madison (1998-99), sob a orientação do Professor Dr. Michael W. Apple - “um dos pesquisadores mais reconhecidos, internacionalmente, na área de currículo” - Salomão Hage acredita que uma bolsa da Fulbright é muito importante na vida de qualquer pesquisador, seja ele iniciante ou com experiência acumulada. “O respaldo acadêmico obtido a partir da aquisição da bolsa, as possibilidades que se abrem em relação aos centros de pesquisa de maior prestígio, a convivência e o intercâmbio com pesquisadores de outros países do mundo, são questões que fortalecem o currículo e ampliam os nossos horizontes e referências culturais”, destaca.

De acordo com o professor, na universidade, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, sempre que se apresentou como bolsista da Fulbright foi reconhecido com mérito pelos professores e colegas de pós-graduação. “No meu Currículo Lattes, essa informação figura como uma ação de destaque na minha formação acadêmica”, salienta. Para ele, a oportunidade que teve de aprender a língua inglesa com fluência, permite sua interação com pesquisadores e personalidades internacionais que visitam a UFPA, interessados em estabelecer um relacionamento acadêmico com pesquisadores que vivem na região amazônica.

Ele lembra com carinho das reuniões mensais entre os bolsistas e o comitê local da Fulbright: “mensalmente éramos convidados, eu e minha família, juntamente com os demais bolsistas, a nos reunir em uma cidade dos Estados Unidos”, recorda. Nessas ocasiões, eles visitavam pontos turísticos, conheciam museus e universidades, participavam de shows artísticos e peças teatrais e assistiam a torneios esportivos e outras atividades de caráter cultural. Tudo isso, segundo o professor, serviu para enriquecer os conhecimentos que tinham sobre os EUA e a cultura norte-americana. Além disso, a experiência deu a ele a oportunidade de conviver com pesquisadores de todas as partes do mundo e trocar experiências sobre as produções acadêmicas e a realidade da educação, da pesquisa e da pós-graduação nos diferentes países.

Saiba mais sobre o Doutorado Sanduíche


Para o professor da UFPA, Salomão Hage, uma bolsa Fulbright é muito importante na vida de qualquer pesquisador.
Morar em outro país é diferente de qualquer outra experiência

Bolsista Fulbright do programa Foreign Language Teaching Assistance (FLTA), Lúcia Novaes está nos Estados Unidos desde agosto de 2009. Formada em letras, habilitação em português e inglês, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela dá aulas de português na Haskell Indian Nations University, em Lawrence, Kansas, voltada para alunos de ascendência indígena.

“Conviver com a cultura indígena, diariamente, me ajudou a compreender o processo histórico dos Estados Unidos e a opressão a que esses índios estão sujeitos ainda hoje. Também me levou a discutir certos tópicos pelos quais nunca tinha tido interesse e a tentar buscar pessoas que pudessem me dar respostas para as minhas dúvidas, considerando-se que eu não faço parte da comunidade indígena, apesar de me pegar às vezes referindo a mim mesma como indígena”, diz a professora, que no Brasil dava aulas de inglês na Cultura Inglesa, no Rio de Janeiro (RJ).

Para ela, a experiência de viver nos EUA tem sido extremamente enriquecedora. “Acho que a independência de ter que me virar sozinha mesmo, principalmente nos primeiros meses, é o ponto em que sinto que mais cresci. O fato de não ter família por perto e ter que decidir tudo por conta própria é uma experiência pela qual todo mundo deveria passar”, acredita. Outro ponto que destaca é a quebra de preconceitos em relação a outras culturas e pensamentos. “Pessoas com quem eu nunca imaginaria ter uma grande amizade são hoje os meus melhores amigos, aqueles que quando eu precisei (e a gente sempre precisa quando está só) estavam lá o tempo todo me ajudando”, salienta. Além disso, ressalta o fato de poder viajar e conhecer a fundo a geografia, a cultura e a história dos Estados Unidos: “tento viajar sempre que dá”.

Segundo Lúcia Novaes, morar em outro país é algo muito especial e diferente de qualquer outra experiência. “No meu caso em particular, foi ainda mais enriquecedor, já que vim para uma universidade indígena e com outros três estrangeiros no mesmo programa que eu”, ressalta. Ela acredita que o fato de ter ido morar sozinha em outro país foi um desafio. “Nós temos essa cultura latina de não sair da casa dos pais até estarmos mais velhos ou casarmos e de repente você ter que parar para pensar em coisas cotidianas como lavar roupa ou fazer compras sob um frio de -20C é bem diferente”, destaca. Ela explica que sua percepção sobre a independência mudou muito, além do fato de ter que diariamente superar seus preconceitos e timidez para falar com pessoas novas e provar que estar sozinha pode ser algo muito divertido e ao mesmo tempo desafiador.

Mas o melhor de tudo, em sua opinião, é ensinar a língua e a cultura do Brasil. “Descobrir que índios americanos estão interessados no meu país foi uma das melhores surpresas que tive ao chegar aqui”, conta a professora, que se emociona toda vez que um aluno fala “oi” (em português mesmo), pelo campus. “Não dá para controlar o orgulho e a alegria de ver que terei deixado um pouco de mim, quando voltar para o Brasil.” De acordo com ela, as pessoas foram se acostumando com seu jeito brasileiro e o ambiente da sala de aula acabou ficando igual ao de suas salas de aula no Rio de Janeiro, com os alunos se divertindo, fazendo piadas e à vontade para contarem coisas pessoais e fazerem perguntas sobre a cultura brasileira. Saiba mais sobre o Programa FLTA


Da esquerda para a direita, as FLTAs Roberta Vasconcelos, Lúcia Novaes, e Carla Iriane.
 

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