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Obama.jpg“Simple exchanges can break down walls between us, for when people come together and speak to one another and share a common experience, then their common humanity is revealed. We are reminded that we're joined together by our pursuit of a life that's productive and purposeful, and when that happens mistrust begins to fade and our smaller differences no longer overshadow the things that we share. And that's where progress begins.” Presidente Barack Obama, April 7, 2009.

O Programa Fulbright oferece bolsas de estudos para estudantes de graduação, de pós-graduação, professores, pesquisadores e profissionais em todas as áreas do conhecimento. Até hoje, 3.000 brasileiros puderam estudar e viver nos Estados Unidos e 2.700 norte-americanos vieram fazer o mesmo no Brasil.
Bolsista de doutorado sanduíche aprimora estudos musicais em Nova Iorque

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Aluna de doutorado em música na Universidade de São Paulo (USP), Júlia Zanlorenzi Tygel é bolsista do programa Estágio de Doutorando nos EUA – doutorado sanduíche – na Graduate School and University Center, City University New York (CUNY), até o próximo mês de maio.

Pianista, arranjadora e compositora, ela é bacharel em música pela Unicamp, com mestrado em música pela mesma instituição. Leia a entrevista exclusiva de Júlia Zanlorenzi Tygel para o site da Fulbright.

1. O que a City University New York tem a oferecer em sua área de estudos ?

A City University of New York (CUNY) é uma instituição bastante conceituada na área de teoria musical. Meu doutoramento, no Brasil, abrange as áreas de teoria musical e composição, a teoria constituindo uma base para os processos de composição. Aqui nos EUA, estou focando na teoria, que é bem forte nessa instituição. É uma grande oportunidade tanto de fortalecer um panorama geral sobre diferentes correntes da teoria musical, que certamente me auxiliarão em uma futura docência, quanto para focar nas técnicas e correntes que mais interessam à minha pesquisa. Meu orientador na CUNY, Prof. Joseph Straus, é um "theorist" (estudioso da teoria musical, não conheço termo similar em português) muito reconhecido internacionalmente, com foco na música do século XX, período em que se encontram as obras que estou estudando. Temos feito encontros semanais para discutir as peças em foco, o que tem sido muito enriquecedor, uma grande oportunidade. Além disso, tenho feito aulas como ouvinte, frequentado bastante a grande biblioteca de meu prédio e, conforme a disponibilidade, estudado nos excelentes pianos do departamento de música.

2. Quais os principais objetivos de sua tese de doutorado (A reescritura como processo composicional: análise das abordagens de Ligeti, Bartók, Debussy e Villa-Lobos na contemporaneidade.)?

O processo de "reescritura" ou "recomposição" significa compor a partir de um material musical pré-existente: uma canção folclórica, um conjunto de músicas (um cancioneiro, por exemplo), ou mesmo uma peça específica de outro compositor individual. Esse tema nasceu de minha prática escrevendo arranjos para músicas brasileiras, especialmente compositores como Edu Lobo, Tom Jobim, Chico Buarque, que resultaram inclusive em meu primeiro CD [é possível escutá-lo integralmente na internet, em sites como a Rádio UOL].

Meus arranjos utilizam muitos elementos composicionais, muitas vezes modificando a própria canção. Percebi que gostaria de ter mais ferramentas para esse tipo de processo, que para mim tem sido uma grande escola, especialmente pela limitação imposta pelo repertório - acredito que é importante no processo de aprendizado trabalhar com limites bem definidos. Esses anseios me levaram a querer estudar como grandes compositores lidaram com essa questão da reescritura, que, embora seja um processo composicional antigo e recorrente na história da música, intensificou-se no século XX, quando muitos compositores passaram a trabalhar com os repertórios tradicionais de seus países de origem e de outras localidades. Tal movimento está intimamente ligado aos processos da globalização, consistindo em uma das possíveis formas de interpretação e ressignificação do "outro" através da música - o que traz o tema diretamente à contemporaneidade...

Os principais objetivos de meu trabalho são, assim, analisar peças específicas dos compositores em pauta tendo como foco seus processos de reescritura, discutir o conceito de reescritura a partir dessas análises, e realizar exercícios de composição baseados nos processos encontrados em cada peça.

Dentre os compositores que realizaram processos de reescritura, escolhi alguns pela necessidade de limitação do tema, e a escolha deu-se em um acordo entre a relevância dos compositores e meu gosto pessoal, uma vez que deixarei-me permear esteticamente e tecnicamente por suas abordagens. Aos compositores inicialmente escolhidos, agregou-se também Stravinsky, por sugestão de meu orientador nos EUA, de cuja música também gosto muito.

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3. O que representa para você essa oportunidade de participar do programa de doutorado-sanduíche?

Vejo essa oportunidade em dois níveis: primeiro, em um nível mais prático, a oportunidade de conhecer e beneficiar-me do programa de música de uma universidade conceituada nos EUA e do contato com o orientador daqui, o que tanto aprofunda quanto amplia meus conhecimentos.

Em outro nível, a questão intercultural é muito enriquecedora, de maneira mais abstrata e mais profunda, em minha opinião: estar fisicamente em uma instituição de outro país, que funciona de maneira diferente, convivendo com pessoas de diversas origens, que pensam e trabalham de maneira diferente, e de maneira mais ampla viver imersa em uma outra cultura. New York especialmente é muito internacional, o que acho extremamente interessante. Na área de música, a cidade em si já oferece uma experiência muito enriquecedora, com grande atividade artística e portanto muitos estímulos criativos. Creio que isso amplia nossa visão de mundo, nossa sensação de estar no mundo, nossas perspectivas - e ao mesmo tempo desenvolve a noção de que todas as pessoas são essencialmente iguais, no fundo. Creio que estou crescendo muito, como pesquisadora, musicista e como pessoa.

Gostaria de ressaltar a importância e diferencial do recebimento de bolsa nesse período, especialmente a bolsa CAPES-Fulbright, maior que as outras que conheço no Brasil. Além do reconhecimento da Fulbright nos EUA, que tem aberto muitas portas, o fato de não ter preocupações financeiras nesse período traz uma tranquilidade que faz toda a diferença em relação à concentração nos estudos e aproveitamento das oportunidades nesse período, além do sentido de responsabilidade.

4. Quais são seus planos para quando terminar o doutoramento?

Na música, tenho até aqui conciliado a carreira acadêmica e a atuação prática como pianista, arranjadora e compositora. Isso é extremamente trabalhoso e muitas vezes difícil emocionalmente, pois cada uma dessas atividades requer grande dedicação e exige muito tempo para dar bons frutos. No entanto, para mim as áreas se complementam, e creio que eu seria infeliz atuando em apenas uma delas. Assim, tenho desejo de atuar na docência, mas desejo continuar atuando como musicista em sentido prático. Acredito que assim serei uma melhor professora e poderei sempre me atualizar como artista. Tenho desejo de, futuramente, atuar na área de extensão universitária, em projetos de parceria entre a universidade e a comunidade externa - creio que a música tem muito a oferecer e muito a se enriquecer desse tipo de prática, e acho que ainda há poucos projetos dessa natureza no Brasil. Muito provavelmente terei vontade de realizar um pós-doutoramento depois do doutorado, pois as pós-graduações representam para mim oportunidades de estudar e me "reciclar" artisticamente. Acredito que ainda estou em processo de formação e gostaria de aproveitar ao máximo as oportunidades nesse sentido. (Foto de Renata Ursaia) Saiba mais sobre o doutorado sanduíche

 

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